Desconstruindo Che Guevara – Mito 1 – Che e a Liberdade

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Desconstruindo Che Guevara – Mito 1 – Che e a Liberdade

Che é um ídolo. O guerrilheiro argentino é adorado por multidões, que veem nele um símbolo de resistência contra a opressão capitalista. A torcida Máfia Azul, por exemplo, já o homenageou pintando seu rosto em bandeiras e camisetas do time. No cinema,Benício del Toro e Gael Garcia Bernal e até Omar Sharif já lhe deram voz.
Che é o cara para quem o projeta como herói latino-americano. Renunciou o próprio bem-estar em nome de uma causa maior que si mesmo. Organizou protestos e lutas armadas em nome da liberdade. Conheceu as várias faces da pobreza em uma América Latina esquecida!
Mas, Che lutou contra as bandeiras que seus fãs defendem. Se alguém nutre admiração pelos direitos humanos, não deve usar a camiseta com o rosto emblemático do barbudo de boina. Basta lermos os diários e manifestos do próprio Che para encontrarmos os maiores absurdos!
A primeira bandeira que se ergue em nome de Che é a da liberdade. Trata-se de uma falácia, que fica bastante evidente na participação desse personagem histórico na Revolução de Cuba.

Revisando a Revolução Cubana

Antes da revolução cubana, havia 28 voos comerciais diretos entre a ilha e os EUA. É verdade que havia muita prostituição e consumo de drogas. Mas, ainda hoje, o quadro permanece. Cuba era uma espécie de Las Vegas. Se a desigualdade social era grande, também havia empregos no ramo da hotelaria. O consumo da população de Havana era tão significativo nos EUA, que a MACY’s fazia propagandas em espanhol nos jornais locais. Havia, ainda, o imperialismo cubano. Tratava-se de uma elite canavieira que despejava milhões de dólares na economia estadunidense. Durante esse período, as artes se desenvolviam na capital da ilha e ganhavam significância no cenário mundial. A universidade de Havana era um centro de excelência e o combate ao analfabetismo estava em curso.
O problema era o governo de Fulgêncio Batista. Ele instalara uma ditadura que coibia a liberdade de expressão. Então, Fidel Castro surgiu como um oponente nessa disputa política. Ele conseguiu fundos nos EUA e com os Bacardi, família influente de Cuba que estava com medo das decisões de seu então presidente. Fidel criaria o movimento 26 de Julho que, segundo Huber Matos (um de seus principais revolucionários da época), não era comunista:

Lutávamos para restaurar a democracia pluripartidária que tinha sido extinta com o governo de Fulgêncio Batista em 1952. Nos primeiros meses, acreditávamos que e os partidos e as eleições voltariam. Mas Che e Fidel levaram a revolução para uma ditadura comunista. Muitos guerrilheiros, que pensavam como eu ficaram quietos, acabaram ganhando cargos menores e vivendo sob a chantagem de Fidel.

Fidel tomou o poder de Fulgêncio em 1959. Após a vitória, Che Guevara espalhava declarações como: “Jurei ao camarada Stálin que não descansarei até ver aniquilados os polvos capitalistas”. Esse tipo de pronunciamento fez que artistas, políticos e empresários fugissem de Cuba. Os compositores Osvaldo Farrés e Frank Dominguez fugiram de lá. Celia Cruz, a rainha da Salsa, foi expulsa e expressou sua revolta em músicas de exílio como Cuando Sali de Cuba. A primeira medida do novo governo foi proibir as expressões artísticas como o Rock, cujos componentes eram vistos como seres amorais e eram proibidos de andar com cabelo comprido. Oficialmente, essa proibição durou pouco. Com o sucesso dos Beatles e o espírito revolucionário associado a esse tipo de música ficou impossível proibi-lo a ponto de Fidel Castro homenagear John Lennon em 2000. Tratava-se, entretanto, de um estilo marginalizado. O governo apenas incentivava os trios folclóricos. A cena musical de Cuba, nos tempos hodiernos, está congelada no tempo e regrediu muito em relação ao que se via na década de 50.

Para se construir o comunismo, é preciso se fazer o homem novo” Che Guevara

O intentode Che era fazer um exército de goléns. A ideia de homem novo é uma das maiores afrontas aos direitos humanos. O novo homem não teria interesses próprios e apenas defenderia os ideais coletivos. Esse desejo de altruísmo foi usado como desculpa para perseguir e matar todos aqueles que se recusavam a seguir o modelo imposto pelo governo. Em discursos e entrevistas, Che deixou claro que os jovens precisavam ser educados (ou programados?) ” para pensar como massa e atuar com as iniciativas que nos oferece a classe trabalhadora e as iniciativas dos dirigentes supremos”. Sim, ele falava dos dirigentes supremos!
O uso do rádio era uma forma de comunicação em massa. Che divulgava suas instruções como se fosse um mestre pregando a salvação da pátria para seus discípulos. Em 1959, quando Fidel ainda não havia declarado que faria um um governo comunista, as escolas militares de Che já adotavam uma disciplina que reproduzia os moldes soviéticos. Che ainda montaria o primeiro campo de trabalho forçado cuja função seria a de reeducar as pessoas contrárias à revolução e aquelas que eram consideradas imorais.
Em 1967, o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos denunciava as atrocidades cometidas nesses “centros de reeducação”. Gays, dissidentes do governo, seguidores do candomblé, católicos, testemunhas de Jeová, alcoólatras e portadores de HIV eram enviados sumariamente para as Unidades Militares de Ayuda a la Producción.
Portanto, é uma grande contradição acreditar que Che Guevara seja um baluarte da liberdade por várias razões. Ele institui uma ditadura socialista numa revolução cuja função era devolver a Cuba o pluripartidarismo e a democracia. Ele expulsa artistas e impõe censuras a seus dissidentes. Ele nega a liberdade sexual ao perseguir homossexuais. A liberdade de Che Guevara é uma bandeira em chamas, destinada às cinzas para quem se propõe a analisar a história sob um olhar pós-moderno.
Resenhado de GUIA POLITICAMENTE INCORRETO da AMÉRICA LATINA.

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