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Um poema para Marielle

Poeta presta homenagem à vereadora que “sonhou com a justiça, lutou pela liberdade e ousou ir além do que a sua cor permitia”

“Morreu a preta da maré,

a negra fugida da senzala

que foi sentar com os “dotô” na sala

e falar de igual para igual com “os homi”.

A negra que burlou a fome de se saber,

que fez crescer dentro dela o conhecimento.

Aquela, que por um momento de humanidade,

sonhou com a justiça, lutou por liberdade

e ousou ir mais alto,

do que permitia sua cor.

“Mas preta sabida, não pode!

Muito menos pobre! Não tem valor.”

Diziam as más línguas na multidão.

E ela ousou tirar seus pés do chão.

Morreu.

Morreu a “preta sem noção”,

que falava a verdade na cara do patrão,

que carregava a coragem, como bagagem,

no coração.

O tiro foi certo,

acertou com maldade,

ecoando seco no centro da cidade”.

Anielli – Poeta de V Redonda

Fonte: R7.

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